Alexandre.Gaigalas.Net

Desenvolvedor, autor e projetista de interfaces.

A Lei de Brooks e Projetos Marcha da Morte

Provavelmente, os profissionais mais experientes na área já sentiram, bateram a cabeça e assimilaram o que Fred Brooks documentou cerca de 30 anos atrás. Eu não li o Mythical Man-Month, que é um dos livros que presumidamente deu origem a uma nova série de metodologias de desenvolvimento de software. Eu li sobre ele e me identifiquei. A lei é bem simples:

Colocar mais programadores pra trabalhar em um projeto atrasado vai atrasá-lo mais ainda.

Poxa, contra-intuitivo, né? Se você coloca mais gente pra trabalhar, o projeto deveria andar mais rápido. Não funciona assim pelos seguintes motivos:

  • Um programador recém-introduzido em uma equipe coesa demora para tornar-se produtivo
  • Programadores recém-introduzidos tendem a interromper e atrasar os membros de longa data do projeto
  • Quanto mais gente, mais nós a informação tem que trafegar para comunicar. É mais simples “sincronizar” com pouca gente experiente do que muita gente inexperiente.

Opa, claro que existem as exceções. É possível por exemplo contratar gente pra tirar o entulho do caminho. Programadores pra criar ferramentas ao invés de desenvolver novos recursos, cuidar de compatibilidade, testes de qualidade, unitários e tudo mais. Mesmo assim, a vantagem muitas vezes não compensará o custo desses profissionais.

Epic Fail: Uma Realidade em 40% dos projetos de TI

Epic Fail: Uma Realidade em 40% dos projetos de TI

Brooks não teve um insight do nada, ao tomar uma cerveja e coçar o joelho. Seu livro é resultado das experiências de desenvolvimento do projeto OS/360 da IBM, no qual ele foi gerente. Ao longo do tempo, muitos outros profissionais acabaram experimentando situações compatíveis com as idéias de Brooks.

Essa lei está intimamente ligada com os famigerados projetos marcha da morte. Provavelmente você já trabalhou ou conhece alguém que trabalhou em um. Nem precisa ser um projeto de TI, basta ter as seguintes características:

  • A expectativa dos líderes quanto ao lucro, prazo ou sucesso do projeto é otimista demais ou não-realista.
  • Um grupo diretamente responsável pelo desenvolvimento do projeto não acredita mais no sucesso do mesmo.
  • O desgaste emocional e físico é crescente. São solicitadas, exigidas ou impostas horas-extra e fins de semana de trabalho.

Projetos marcha da morte são projetos destinados a falhar, que fugiram do escopo ou estouraram o prazo. Não há salvação, e todos da equipe sabem disso e continuam apenas porque são obrigado a fazê-lo.

Note que não há nada errado em fazer horas-extra ou adicionar novos membros na equipe, desde que o momento seja adequado. Muitas vezes, profissionais workaholics gostam de trabalhar mais para entregar mais cedo. Projetos saudáveis sempre estão abertos para novos membros que possam adicionar valor à equipe. O difícil é identificar esses momentos, um talento que vai além do bom senso.

3 Comments to A Lei de Brooks e Projetos Marcha da Morte

  1. Adriano Alves's Gravatar Adriano Alves
    02/10/2009 at 18:28 | Permalink

    Pois eh, já trabalhamos num projeto marcha da morte , lembra? rsrs.

  2. Bullshico's Gravatar Bullshico
    06/10/2009 at 22:26 | Permalink

    Acho que todos os projetos que já trabalhei em empresas foram assim.

Comentar

Você pode usar os seguintes HTML atributos e tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>